De acordo com Raimundo Lima, presidente da mesa da assembleia daquela agremiação, a corrente de comércio entre os dois países, que havia duplicado em um só ano de USD 2,1 biliões em 2007 passou para USD 4,2 biliões em 2008 terminou caindo a menos de 1,5 biliões em 2009.
“No ano passado, o volume de negócios atingiu 1 bilião e 471 milhões, ficando abaixo apenas do valor alcançado nos últimos dois anos transactos. Contudo, foi o terceiro maior registo da história”, disse.
Em 2009, as importações dos produtos brasileiros totalizaram 1 bilião e 300 milhões, enquanto as exportações de produtos angolanos para o Brasil foram de 138 milhões, com queda de um terço nas importações e de 90% nas exportações.
Ainda assim, ressalta o nosso interlocutor, “o registo é significativo”, se se tiver em conta que em 2000, o Brasil exportava apenas USD 106 milhões ao nosso país. No mesmo período, o Brasil importou de Angola USD 31 milhões.
Para Raimundo Lima, a crise financeira internacional, a redução brutal dos preços do petróleo e o grave tombo dos diamantes, “coma consequente elevação da inadimplência do Governo, que implicou a redução do crescimento da economia nacional de quase 20% para apenas 13%” são alguns dos factores que contribuíram significativamente para a queda.
Não obstante, o também presidente do grupo Aldeia considera que 2010 será um ano de retoma significativa nas trocas comerciais entre os dois membros da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), isto porque “os factores acima citados já foram ou estão a ser contornados, inclusive permitindo ao Governo pagar as suas dívidas, que anunciou ainda para este mês o inicio dos pagamentos de seus compromissos até USD 10 milhões cada fornecedor”.
Outro factor que vai contribuir para o incremento das relações é o aumento da linha de crédito aberta pelo Brasil em favor de Angola, estimado em USD 500 milhões. Os recursos dessa linha são utilizados no financiamento de projectos escolhidos pelo Governo angolano nas áreas de infra-estrutura física e social. Nos últimos anos, esse mecanismo soma quase 3,5 biliões de crédito.
“Sem dúvida que uma maior abertura ampliaria o leque de empresas a se utilizarem desse mecanismo e, portanto, ampliaria o benefício no sentido horizontal, como defende a AEBRAN desde o seu surgimento, há seis anos”, salientou, para depois acrescentar que “a linha de crédito constitui o principal instrumento para a ampliação e adensamento constantes das relações entre os dois países”. Tal como os investimentos brasileiros crescem no nosso país, a presença do empresariado angolano na “terra do Samba” é cada vez mais notório, principalmente no sector imobiliário e na participação corporativa através de parcerias e participações societárias.
De acordo com o Banco Central do Brasil, em 2007, cerca de USD 13 milhões dos investimentos estrangeiros provinham de Angola.
No ano seguinte, quase que quadruplicou, atingindo cerca de USD 50 milhões. Por seu lado, Alberto Ésper, presidente da AEBRAN, não tem dúvidas de que essa relação vai continuar a intensificar-se nos próximos anos.
A seu ver, o passado e o presente projectam claramente esse futuro.
“Os dois países são nações soberanas e independentes que juntas podem produzir grandes resultados nas engrenagens comerciais e diplomáticas do planeta. Enquanto o chamado mundo desenvolvido começa a sentir uma escassez de importantes recursos naturais como a água e as terras cultiváveis que garantem a segurança alimentar, Brasil e Angola dispõem em abundância de recursos hídricos e terras férteis em condições climáticas favoráveis. Isso nos coloca em posição de potenciais produtores e fornecedores mundiais de alimentos”, justificou.
Mais do que a tradicional parceria entre os dois Estados, Alberto Ésper destaca a vontade dos dois povos: “Se o profissional brasileiro pode transmitir conhecimentos técnicos específicos, em contrapartida aprende com os angolanos a arte da superação com garra, coragem e criatividade”.
“Os nossos povos querem isso, os nossos governos sabem disso e o mundo atento nos observa”, frisou.
Raimundo Lima também alinha no mesmo diapasão. Ele acredita que existe cada vez mais um espaço aberto para a ampliação das exportações de serviços do Brasil para Angola, bem como para as exportações no futuro, no sentido inverso.
“Em termos de serviços, Brasil e Angola são países que têm ainda uma balança deficitária. Nos últimos anos, o saldo líquido de serviços de Angola tem sido negativo em cerca de 12 biliões, enquanto no Brasil, foi de USD 9 biliões”.
Manuel Nunes

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