Já foi a 806 territórios e esteve 10 vezes em Portugal. O maior viajante é viciado em quilómetros. E só lhe faltam 65 locais para poder dizer que esteve mesmo em todo o lado.
Vindo de quem vem, o elogio a Portugal é para ser levado em conta: "Já estive aí 10 vezes, sobretudo em Lisboa. Interessa-me conhecer a influência colonial portuguesa, visível em muitas nações, em particular no Brasil, Moçambique e Angola." Quem o diz é uma autoridade em viagens, que já visitou 806 locais, entre países, colónias, e ilhas. Faltam lhe apenas 65 para completar o mapa. O papa-léguas chama-se Charles Veley, é americano, tem 44 anos e orgulha-se de aos 37 ter batido o recorde de ser o mais viajado do mundo.
Charles não se esquece do nosso país, não só pelos motivos óbvios (história, comida e fado), como também pela festa de uma figura pública. "Estive em Monsaraz, no casamento de Ben Fogle, uma estrela da televisão britânica", conta à SÁBADO, por e-mail, acabado de chegar a Salerno, Itália.
As viagens são assumidas pelo próprio como um vício (dromomania, definida nos dicionários como impulso à fuga). Um vício caro, sem ajudas de custo. "Até agora fui eu que as paguei, mas daqui em diante terei de recorrer a patrocínios." Dá-se a este luxo, porque ganhou fortunas como vice-presidente de uma empresa de software, a Microstrategy. Isso foi antes de renunciar ao cargo para se dedicar às viagens.
Chegou a uma conclusão curiosa: todas as cidades, das mais evoluídas às carenciadas, têm um bar. O seu favorito fica no hotel Ritz de Paris, não só porque é amigo do bartender (considerado dos melhores do mundo, Colin Fields), como este lhe dedicou uma bebida, baptizando-a de "Lemon Charlie".
É óbvio que a sua odisseia inclui situações de perigo, a ponto de ter corrido risco de vida quando andou sozinho pelas ruas de Cabul (Afeganistão) na altura em que os talibãs espalharam o caos com atentados bombistas; ou quando foi interceptado por um membro da KGB na Chechénia (Rússia); ou ainda quando passou a noite sozinho nas montanhas do Cáucaso (parte meridional da Rússia).
Nada disto se compara ao episódio na estrada de Campo Grande, no Brasil. Escapou por pouco. "Foi numa ultrapassagem, durante a noite, e ia batendo contra um camião." Prefere o caminho mais complicado, andando à descoberta em carros alugados, e conduziu pelas cidades com o trânsito mais caótico do mundo: México, Banguecoque (Tailândia), São Paulo (Brasil) e Moscovo (Rússia).
Com tanta rodagem, Charles quase dispensa grandes preparativos. "Sinto-me à vontade para, de um dia para o outro, partir para qualquer país do mundo. Às vezes, é preferível assim, porque compro as coisas em mercados locais e adapto-me mais aos sítios."
Antes de ser pai, Charles passava o tempo a viajar. Reduziu o vício para metade quando teve o primeiro filho. Com a segunda criança, passou apenas a dedicar 33% do seu tempo às viagens. À terceira, cortou de vez. Só recentemente retomou as viagens, apenas de trabalho, quando voltou à sua empresa. Pode ter corrido o mundo, mas diz que nada se compara ao regresso a casa, em São Francisco.
Fonte: Angola Belo

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